Entre o analógico e o digital
Os Zillennials ocupam uma posição curiosa na história recente: são pessoas que cresceram durante a transição entre dois mundos. Embora não exista uma faixa etária oficial para o termo, ele costuma ser usado para descrever aqueles que ficaram na fronteira entre os Millennials e a Geração Z.
Para muitos deles, a infância ainda teve brinquedos físicos, televisão tradicional, fitas VHS, CDs e computadores que não estavam permanentemente conectados à internet. Ao mesmo tempo, durante a adolescência e o início da vida adulta, chegaram a banda larga, as redes sociais, os smartphones e uma vida cada vez mais mediada por telas.
Uma ponte entre gerações
Essa experiência criou um repertório cultural bastante particular.
Os Zillennials podem reconhecer referências associadas aos Millennials — como locadoras, telefones fixos, CDs, MSN e os primeiros anos da internet — enquanto também acompanharam a ascensão das redes sociais, dos smartphones, do streaming e das plataformas que moldaram a experiência da Geração Z.
Por isso, o grupo às vezes é descrito informalmente como uma “ponte” entre gerações. Não significa que todos compartilhem exatamente os mesmos hábitos, mas que muitos tiveram contato direto com tecnologias e costumes pertencentes a épocas diferentes.
A geração da transição
Talvez a característica mais marcante dos Zillennials não seja simplesmente “dominar a tecnologia”, mas ter vivenciado sua transformação.
Eles conheceram um período em que a internet não estava necessariamente no bolso de todos e acompanharam sua evolução até se tornar uma presença constante na vida cotidiana. Aprenderam a lidar tanto com ferramentas analógicas quanto com ambientes digitais que mudavam rapidamente.
É importante, porém, evitar a ideia de que essa foi uma geração literalmente “desconectada na infância e totalmente digital na adolescência”. A transição aconteceu de maneira gradual e foi diferente conforme o ano de nascimento, o país, a condição econômica e o acesso à tecnologia de cada pessoa.
Nem Millennials, nem Geração Z
Por isso, o conceito de Zillennial funciona melhor como uma categoria cultural informal do que como uma geração oficialmente delimitada.
Mais do que pertencer exatamente a um intervalo de anos, ser Zillennial representa ter crescido na fronteira entre a era analógica e a era digital — quando a tecnologia deixou de ser apenas uma ferramenta que usamos ocasionalmente e começou a se tornar o ambiente em que vivemos.
Talvez seja justamente essa experiência de transição que explique por que tantas pessoas desse grupo conseguem se sentir confortáveis tanto diante de uma tecnologia recém-lançada quanto diante de algo que já parecia antigo para as gerações seguintes.

