O fax em chinês que mudou a vida de Giovanni Miguel

O fax em chinês que mudou a vida de Giovanni Miguel

Curitiba, anos 1990

Em algum momento dos anos 1990, em Curitiba, Giovanni Miguel recebeu um fax escrito em chinês.

O pedido era sobre tipos de madeira que ele próprio nem sabia identificar.

Para a maioria das pessoas, aquilo provavelmente terminaria na lixeira.

Giovanni decidiu fazer outra coisa.

Em vez de simplesmente ignorar o documento, encaminhou o pedido ao cunhado, que já trabalhava com madeira. A intenção inicial, segundo o relato de sua trajetória, não era construir um império. Era simplesmente tentar ajudar aquele possível comprador a encontrar quem pudesse atendê-lo.

Foi uma decisão aparentemente pequena.

Mas ela abriu uma porta que Giovanni ainda nem sabia que existia.

O primeiro negócio

O cunhado percebeu que havia uma oportunidade e convidou Giovanni para entrar no negócio.

Vieram os primeiros embarques.

E também veio a primeira grande lição.

O comprador chinês não conseguiu pagar conforme o combinado.

Giovanni, ainda no início da atividade, decidiu fazer algo que poderia parecer completamente irracional: viajou até a China para resolver pessoalmente o problema.

Segundo o relato, ouviu do comprador um pedido simples:

Dê-me mais 30 dias.

A promessa era vender a mercadoria e quitar a dívida.

Giovanni decidiu confiar.

O pagamento aconteceu — e aquela relação comercial acabou se transformando em uma parceria importante para sua trajetória.

Da oportunidade ao negócio internacional

A partir dali, Giovanni Miguel começou a ampliar sua atuação no comércio internacional de madeira.

O que começou com uma oportunidade inesperada acabou levando-o a construir uma carreira no setor de exportação e, posteriormente, a mirar um mercado ainda maior: os Estados Unidos.

E foi justamente ali que ele identificou outro problema.

O mercado americano tinha um intermediário demais

Anos depois, Giovanni percebeu que vender madeira brasileira para o mercado americano não significava necessariamente chegar diretamente ao consumidor.

Entre o produtor e o cliente existia uma cadeia de distribuidores e intermediários.

Segundo a história contada sobre sua trajetória empresarial, uma informação obtida quase por acaso ajudou a revelar uma diferença significativa nos preços praticados ao longo dessa cadeia.

A conclusão de Giovanni foi simples:

Se havia espaço entre o produtor e o consumidor, talvez fosse possível construir uma empresa que ocupasse esse espaço.

Em vez de apenas vender madeira para distribuidores americanos, por que não chegar diretamente ao cliente?

Nasce a Lumber Plus

Foi dessa visão que surgiu a Lumber Plus, empresa criada por Giovanni Miguel para atuar diretamente no mercado norte-americano.

A proposta era diferente da exportação tradicional.

Em vez de depender exclusivamente de intermediários, a empresa buscou controlar uma parcela muito maior da cadeia: da seleção e processamento da madeira até a apresentação do produto ao consumidor.

E havia outro detalhe importante.

O cliente americano poderia entrar em um showroom, olhar, tocar e comparar diferentes tipos de madeira antes de comprar.

Era uma maneira de transformar uma commodity em experiência de produto.

Madeira modificada pelo calor

Giovanni também passou a apostar em produtos de maior valor agregado.

Um exemplo é a linha Maxxum Thermo Wood, baseada na modificação térmica da madeira.

O processo utiliza altas temperaturas para alterar determinadas propriedades do material, podendo melhorar características como estabilidade dimensional e resistência a determinadas condições ambientais.

A ideia não era simplesmente vender madeira.

Era vender um produto com tecnologia, acabamento, aplicação específica e marca própria.

De exportador a varejista

A estratégia começou a ganhar escala.

A Lumber Plus passou a ampliar sua presença física nos Estados Unidos, combinando distribuição, showrooms e marcas próprias.

Algumas versões da história empresarial citam dezenas de unidades e presença em diversos estados americanos — números que devem ser associados ao ano em que foram registrados, porque a estrutura da empresa pode mudar com o tempo.

Também surgiram relações comerciais com empresas tradicionais do setor madeireiro americano.

O que começou com um fax recebido em Curitiba havia se transformado em uma operação internacional.

A verdadeira lição talvez não esteja na madeira

A parte mais interessante dessa história não é apenas o crescimento de uma empresa.

É o que aconteceu antes dele.

Giovanni poderia ter ignorado aquele fax.

Poderia ter pensado:

“Não entendo esse pedido.”

“Não conheço esse mercado.”

“Não é problema meu.”

Mas decidiu encaminhá-lo para alguém que talvez pudesse ajudar.

Não havia garantia de dinheiro.

Não havia plano de negócios.

Não havia certeza de que aquilo daria em alguma coisa.

Havia apenas uma oportunidade estranha — e a decisão de investigar.

Talvez essa seja a parte mais poderosa da história.

Grandes oportunidades nem sempre chegam anunciadas.

Às vezes chegam como um fax em um idioma que você não entende.

Como um pedido estranho.

Como um problema que, à primeira vista, parece não ter nada a ver com você.

A diferença está no que fazemos depois.

Alguns ignoram.

Outros investigam.

Poucos agem.

Giovanni agiu.

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