Hedy Lamarr: a estrela de Hollywood que ajudou a abrir caminho para o Wi-Fi e o Bluetooth

Hedy Lamarr: a estrela de Hollywood que ajudou a abrir caminho para o Wi-Fi e o Bluetooth

Em 1933, uma jovem austríaca de apenas 19 anos ganhou notoriedade em toda a Europa ao aceitar um papel que poucos artistas da época teriam coragem de interpretar. Seu nome era Hedwig Kiesler, e ela protagonizou o filme Êxtase (Ecstasy), produção que se tornaria um dos maiores escândalos da história do cinema nos anos 1930.

Na trama, Hedwig aparecia correndo nua por uma floresta e nadando em um lago. Além da nudez, o filme também sugeria o prazer sexual feminino, algo considerado extremamente ousado para a época. Rapidamente, a obra despertou a indignação de grupos religiosos e autoridades, sendo censurada ou proibida em diversos países.

A polêmica, porém, teve o efeito contrário. Quanto mais tentavam impedir sua exibição, maior se tornava sua fama. O longa ganhou repercussão internacional e passou a ser cercado de histórias curiosas. Entre elas, existe o relato de que o ditador italiano Benito Mussolini teria mantido cópias do filme em sua coleção pessoal, embora essa informação nunca tenha sido confirmada de forma definitiva.

A beleza de Hedwig chamou a atenção de Louis B. Mayer, fundador da Metro-Goldwyn-Mayer (MGM). Após levá-la para os Estados Unidos, ele ajudou a transformá-la em uma estrela de Hollywood, onde passou a usar o nome artístico Hedy Lamarr. Mayer também é frequentemente citado como a pessoa que a descreveu como “a mulher mais bonita do mundo”, embora a origem exata da frase seja debatida por historiadores.

Mas sua aparência nunca contou toda a história.

Filha do banqueiro judeu Emil Kiesler, em Viena, Hedy cresceu cercada de livros e demonstrava enorme curiosidade sobre ciência e tecnologia desde criança. Gostava de entender o funcionamento das máquinas e passava horas desmontando e remontando objetos apenas por interesse.

Enquanto conquistava fama nas telas, essa paixão pela engenharia jamais desapareceu.

Ao longo da carreira, estrelou filmes de sucesso como Argel (1938), Boom Town (1940), Comrade X (1940) e Sansão e Dalila (1949), consolidando-se como uma das maiores estrelas da Era de Ouro de Hollywood. Sua vida pessoal também chamou atenção: casou-se seis vezes e conviveu com algumas das personalidades mais influentes do século XX.

Foi durante a Segunda Guerra Mundial que Hedy revelou um talento que poucos imaginavam.

Preocupada com a vulnerabilidade dos torpedos guiados por rádio aos sistemas de interferência alemães, ela uniu forças com o compositor e inventor George Antheil para desenvolver um sistema de comunicação baseado no salto de frequência (frequency hopping). A tecnologia permitia que transmissor e receptor mudassem simultaneamente de frequência, tornando muito mais difícil interceptar ou bloquear o sinal.

A invenção foi patenteada em 1942 nos Estados Unidos.

Na época, a Marinha norte-americana considerou o projeto complexo demais para ser implementado, e ele acabou não sendo utilizado imediatamente. Somente décadas depois, com o avanço da eletrônica e da computação, os princípios do espalhamento espectral passaram a ser empregados em sistemas modernos de comunicação sem fio.

Hoje, tecnologias como Bluetooth, redes Wi-Fi e diversos sistemas de comunicação sem fio utilizam técnicas baseadas nos mesmos conceitos de espalhamento espectral que ajudaram a tornar a ideia de Hedy Lamarr pioneira para sua época.

Hedy Lamarr morreu em 19 de janeiro de 2000, aos 85 anos.

Durante décadas, foi lembrada principalmente por sua beleza e por sua carreira no cinema. Com o passar do tempo, porém, sua contribuição científica também passou a receber o reconhecimento que merecia. Em 1997, ela e George Antheil receberam o Electronic Frontier Foundation Pioneer Award, e hoje Hedy Lamarr é considerada uma das pioneiras das tecnologias de comunicação sem fio, demonstrando que seu legado vai muito além das telas de Hollywood.

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Fonte: National Inventors Hall of Fame
Fonte: Encyclopaedia Britannica

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